sábado, 7 de maio de 2011

Mãe.

Deixemos de lado hoje todos os assuntos pútridos sociais para falarmos desse dia especial, que dentre muitos outros serve para fortalecer e renovar os laços de afetividade, laços de filhos e Mães - sim com M maiúsculos. Sobre a mãe se esconde um milagre: o da vida! Que conforta nossas almas frenéticas e nos motiva a viver, nos motiva a crer em outro milagre: a renovação.
Em definições gélidas, mãe vem do latim "mater", que deriva outras palavras como "matriz", principal. E curiosamente "mater" também origina a palavra matéria. Mãe é matéria que gera matéria. Mas de uma coisa estou certo: a palavra mãe vai além. Alguns falham em dizer que mulheres nascem mãe. Mulheres não nascem mães, se formam. Ser mãe é ser... Bem, falta-me adjetivo para simplificar. Uma mulher que escolhe ser mãe sabe o que à espera.
Começa com típico enjôo, logo uma dor aqui outra ali. A coluna queima, ar pernas incham... Visão do inferno para mulheres de luxúria, mas não para mães. Está aqui uma grande diferença entre mulheres e mães. Acima de tudo isso, eis que surge um chute. Ah! Os chutinhos do bebê. Para uma mulher uma dor, para mãe, uma... massagem, uma ação que resulta um largo sorriso em seu rosto. Os meses passam, as dores, ou melhor, o carinho entre filho e mãe aumentam. Chega a hora. Pois não é que mesmo assim tem mais.."dor"? As contrações aumentam, o médico diz exaustivamente, mais força, mais força!. Aqui outro adjetivo de mãe: força inesgotável. Eis que se ouve, nasceu! Um menino, uma menina, nada disso importa para a verdadeira mãe. Ela o recebe com alegria, lágrimas que parecem de sofrimento, são lágrimas de compaixão. Nesse momento, nós, filhos, nos desligamos ao cordão umbilical para entrarmos nos braços daquela que nos amou desde o primeiro instante.
Assim age a verdadeira mãe, que planeja o melhor para seu filho, que da carinho, atenção. Essa é a mãe que por amor não mede esforços para nos proteger. E se for preciso prender, literalmente, com correntes seu filho a uma mesa para que ele não cai as volúpias da vida ela o faz, por amor. Mãe que toma as dores de seu filho para si. Mãe que contagia o mundo com vida. Mãe que é só uma!
Por essas e por outras, nossas mãe são o contraste do mundo que criamos e vivemos, vazio e frio. As mães  são - e sempre serão - aquelas que carregam o mundo nas costas, a motriz de nosso dias.
É claro, dedico essa postagem a minha mãe. Muitas mãe existem, mas igual a minha, não há!

terça-feira, 3 de maio de 2011

Dia de Glória.

"E a bandeira coberta de estrelas em triunfo ondulará, A terra e a casa do valente". Assim termina o Hino Nacional Norte-americano. Nação de bravos guerreiros, de patriotas que demonstram amor incondicional a pátria, a casa do valente! O povo grita Estados Unidos, Estados Unidos! País de vitoriosos... Assim foi e assim sempre será - pelo que tudo indica - a política americana: a superioridade, a bravura, a honra!
"A justiça foi feita; insurgentes não poderão derrotar os Estados Unidos", disse a secretária de Estado americana Hillary Clinton. Alguém duvida disso? A Guerra contra o terror, ontem, mostrou seu apogeu. O símbolo máximo da desgraça, o terror feito carne e vivendo sobre nós: Osama Bin Laden viu-se, finalmente, derrotado pela potência. Os Estados Unidos fora contagiado por ondas de alegria. A concretização de um sonho americano, a morte do algoz, do desumano, de um animal.
Segundo explicação de um especialista em terrorismo da PUC- SP, Reinaldo Nasser, terrorismo está presente em todas as partes do planeta, caracterizado como uma revolta, usando violência física e psicológica para se obter os resultados desejados. Bem, o que isso significa? Ele cita exemplos bem atuais como Rolihlahla. Você conhece esse nome? A princípio não. Reinaldo Nasser faz algumas citações dos atos que Rolihlahla participou, tais como a distribuição de armas, bombas, criação de milícia, no qual resultou em morte de civis. Enfim, não caracterizamos todos esses atos como terrorismo? Rolihlahla na verdade se chama Nelson Rolihlahla Mandela. Que dilema, não? Nelson Mandela, símbolo do Apartheid, pode ser considerado como um precursor do terrorismo em seu país. Que mundo surpreendente!
Portanto, terrorismo é uma ferramenta que utilizamos para defendermos ideologias e obte-lás, a todo custo. Tendo isso em mente, os mocinhos, sim, os queridos Norte-americanos não seriam precursores de terrorismo? Cômico! Logo eles que são os representantes legítimos da "Guerra ao Terror", são na verdade mais um dos muitos grupos terroristas. Prova disso, que na continuação da definição de terrorismo de Reinaldo Nasser, ele diz que terrorismo é praticado por indivíduos, grupos ou estado. Sim, estado!. Aqui no Brasil por exemplo, vivenciamos isso na Ditadura Militar, pessoas mortas, torturadas, entre outros atos que já somos ciente.
É inevitável esse choque de ideologias, ainda mais em um mundo globalizado, o choque das civilizações. Para nós Bin Laden é um monstro, para seus simpatizantes, um mártir. Bin Laden mesmo disse: "Feliz aquele escolhido por Alá para ser um mártir". Não podemos ignorar também o extremismo religioso por parte desse grupo. Para nós, Estados Unidos seria uma utopia (de forma irônica claro), para eles, uma nação opressora, tirana, a "Grande Satã". Interminável conflito ideológico
"Brigam as ideias, vence os argumentos". Na ausência de argumentos, um homem bomba serve!

sexta-feira, 29 de abril de 2011

O real.

Hoje presenciamos mais um marco da história mundial, especialmente para monarquia inglesa. Sim, o assunto mais badalado do momento: Willian e Kate. Dois jovens, de um lado um príncipe, o da realeza, de outro uma plebeia, uma comum. Uma chance de 10 elevado a milésima. A história perfeita, da fantasia dos contos ao real.
Da fantasia, ao real! Suponho que lendo até aqui podes perceber a dualidade que a palavra real nos abarca.
Real, a palavra nos remete seu significado, aquilo que é verdadeiro, aquilo que existe. Agora, e o oposto, aquilo que não existe,o ilusório e fantasioso, todo o resto, seria plebeu?
Kate dormiu plebeia, uma simples Kate entre muitas, acordou realeza, a Sua Alteza Real, a Duquesa de Cambridge. Que menina não se projetou por míseros segundos uma princesa, da carruagem à coroa, do príncipe ao castelo. Seria errado sonhar e de certa forma iludirmos com aquilo que desejamos? Sim, seria a resposta de um possível carrasco desiludido com a vida; Não, seria a resposta de um dentre milhares de milhões que esticam o máximo - e mais um pouco -  seu pescoço para saber o que há além horizonte: um sonhador, um desbravador, seja como queira chamar.
O casamento do século como especulam, deixou de ser um sonho, tornou sua própria materialização. Encheram a Abadia de Westminster, de um lado a proeminente monarquia e todo seu esplendor, à direita da Igreja assim como segundo a Bíblia, Jesus está a direita do Pai, de outro, o comum, o popular. Olha quão vasto é a reflexão que podemos analisar sobre as eras."Em pleno século XXI" monarquias sobrevivem, reis e rainhas mostram seu brio, ainda reinam, e mais: fascinam. É  cativante, atraente, alucinador... Não seria de menos, afinal, quem nunca quis estar acima, quem nunca quis ser "real"? E assim, de era em era, continuamos a esmo de nossas condições, continuamos a sonhar, continuamos a projetar aquilo que chamamos de destino.
Seria de grande valia lembrar aqui, que quando termina-se o jogo, o rei e o peão voltam para mesma caixa; ou mais: que " do pó viemos, para o pó retornaremos" O que nos faz sermos diferentes, mas ao mesmo tempo iguais? O que nos faz, seguindo a linha de pensamento construída até aqui, sermos falsos, comparados aos olhos daquilo que vemos como real? Perguntas inquietantes.
E como dizem os britânicos: Que Deus salve a Rainha!

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Que dia é hoje?

Fiquei surpreso em não encontrar nenhuma reportagem, digamos, especial sobre esse dia. Não, não é Páscoa. Ainda não. Também não comemoramos nenhuma conquista dos direitos sociais como um salário mínimo que atenda a necessidades básicas, por exemplo. Algo me diz que isto está longe de acontecer. enfim. Afinal, que dia é hoje? Bem, hoje comemoramos (?) o dia do Descobrimento do Brasil, para ser mais meticuloso, comemoramos o Redescobrimento do Brasil, uma vez que já era habitado por índios. Mas disso todos nós sabemos. Isso pode ser prova que a cada ano, datas importantes perdem a sua importância, engrassado, o importante perder a importância?
Fazendo uma reflexão mais complexa, poderíamos dizer que hoje comemoramos o início da escravização e exploração dos índios? Que comemoramos o início dos saques aos recursos que aqui existiam? Comemoramos hoje a perda de riquezas inestimáveis para nos brasileiros. Será que teríamos a sagacidade de comemorarmos essa data marcante para nós? Esse foi o preço que pagamos para que pudéssemos dar inicio as relações internacionais.Um mundo sem fronteira, não é isso que queremos? Olha que engraçado, ontem também foi um dia importante. Não, não foi a Páscoa! Calma que Domingo já chega e dai sim você pode comer seu ovo de chocolate. Ontem foi o aniversário de execução de Tiradentes. Engraçado como as datas batem. Tiradentes foi um mártir da Inconfidência Mineira, que foi o movimento de revolta da separação do domínio da Corôa portuguesa. Junte os fatos: estávamos, até então sendo explorados por um país que não chega a ocupar a área do Piauí. Cômico? Não, trágico!
"A liberdade diminui à medida que o homem evolui e se torna civilizado". Momentos assim eu me questiono o motivo de macacos estarem em jaulas. Um dilema e tanto, concorda? E o que podemos fazer, já aconteceu! Podemos refletir, tomarmos medidas construtivas para não sermos "explorados", em que engloba sentido diversificado. O pior burro é aquele que não quer aprender. Aqui deparamos com outro problemas: nosso bom senso no que diz respeito a liberdade. Não proponho aqui um pensamento anarquista, de forma alguma, proponho um pensamento racional sobre o nosso dever, querer e poder. Che Guevara disse: "Sonhas e serás livre de espírito... luta e será livre na vida" Aqui, uma frase que sintetiza as consequências de nossas escolhas, seja pessoal ou social. O puro clichê social, já velho conhecido por quem lê as postagens do blog: competi a cada um de nós, os atos e as consequências.
Olha que engrassado, se é que consigamos rir, hoje também é Sexta-feira Santa. Dia de reflexão? Que isso. Índios sendo escravizados, recursos sendo saqueados, Tiradentes sendo enforcado, Jesus Crucificado!... Nossa que tragédia grega. Bem, grande porcaria tudo isso, afinal o que queremos mesmo é descer a serra, torrarmos no sol, enchermos a barriga de cerveja e crurrasco no vizinho. Mas calma, o brasileiro da seu jeitinho, tenho certeza que vai sobrar espaço para comer os veneráveis ovos de chocolate! Boa Páscoa

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Seria o momento?

Mais uma vez toda efemeridade, movida pela consternação e todo ardor sentimental da sociedade, causada pelo "massacre do Realengo", nos alerta para os perigos que corremos em tomarmos decisões de grande relevância social. É a incansável batalha entre a razão e a emoção, ambas importantes é claro, mas independente das nossas escolhas, trazem consigo altos preços. Falo da seguinte pergunta: " O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?"
Seria o momento ideal para tal plebiscito? Momento de extrema emoção ( que já demorou e muito para terminar!) sobre um caso isolado como o de Realengo, seria a justificativa para o "desarmamento"? Tomarmos decisões por impulso momentâneo ou pensarmos nas consequências impostas sobre tal decisão? Perguntas a parte, uma coisa é fato: com o sem armas continuaremos a matar; com ou sem armas estaremos a esmo da criminalidade. Pena que hoje não é 1º de Abril, poderia escrever que erradicamos a criminalidade, por exemplo, seus filhos poderiam brincar nas ruas, poderíamos abrir nossas janelas para escutar uma eufonia da natureza, mas na verdade é provável que escutemos o som do gatinho e uma voz fria e objetiva "parado, isso é um assalto!". Chega até ser cômico, mas como disse Chapin " A vida é uma peça de teatro". É raro encontrarmos alguém que consiga rir de seus próprios problemas, mais que isso, pessoas que saibam reagir. Essa é uma reação popular. Chega de armas, chega de brigas, quero paz e amor!. Puros exemplos de clichês. Queremos tudo e mais um pouco, mas pouco ou nada fazemos para conseguir.
Te faço a seguinte pergunta. A resposta obviamente cabe a você e junto com elas suas consequências, é claro. A foto ao lado, premiada de Eddie Adams, "A execução de Saigon", evidentemente mostra os extremos da vida. Chame isso se surreal, como queira, mas se pudesse escolher, quem você seria, o homem com a arma ou o prestes a sua execução?
Estaria disposto você a por sua vida em risco por pura onda se sentimentos passageiros? Ter uma arma em casa significa segurança? Que bases você se apoiaria em afirmar que um de seus filhos, que gozam pura inocência, jamais se atreveriam em se aproximar de uma arma, movida pela curiosidade? Conseguiu dar uma resposta para minha pergunta acima? Você está disposto a ser quem da foto?
Assim como você, já perdi a conta de quantas perguntas fiz. Confesso que poucas ou nenhuma consegui responder. Perguntas assim nos fazem rever conceitos e ideologias. Mas pra que levarmos a vida tão a sério, se nascemos de uma gozada? Pergunta mais do que irônica para o momento, concorda?
Algo me diz que daqui a 5 meses ou mais, as pessoas perguntarão se Realengo é de beber ou de comer, se é homem ou mulher. Isso prova nossa mediocridade e imaturidade aos problemas que ano após anos, ficamos, ou fingimos estar inertes. Afinal o que importa prioritariamente é a minha integridade. Agora se me perguntarem se sou a favor de investimentos na investigação e apreensão do tráfico de produtos ilícitos no Brasil, sem dúvidas, mudaríamos o teor em questão, chegaríamos a um consenso. Mas que seria ridículo seria, para não falar outra coisa, que  representantes políticos não tenham aptidão para discernir uma resposta cabível para tal pergunta.
Disse Barão de Montesquieu: "Um império fundado pelas armas tem de se manter pelas armas". Cabe a nós sabermos escolher entre uma arma de fogo e o nosso desejo de mudança, nossa voz.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Negação.

Segundo psicólogos, pais agiram sem pensar. Verdade ou não, talvez você concorde comigo, ambos foram insensatos. Falo do caso dos pais que recusaram uma de suas trigêmeas, no Paraná. É isso mesmo que você leu, eles recusaram um de seus filhos.
Em depoimentos, a fertilização fora feito in vitro, e que de quatro óvulos, fertilizaram três. O problema é que os pais só queriam dois. E agora? Bem, seria entregue a doação, ou quisera Deus que um deles morresse ali mesmo. Não estou louco não, digo isso porque os mesmos pais buscaram recursos no exterior para abortar uma dessas crianças. Um documento, feito em Agosto de 2010 permitia a doação de um dos três, uma vez que não conseguiram meios de abortar um deles apenas.Até orientaram os familiares a não visitarem as crianças. Vai saber quem seria escolhido agora, seja pela cor da pele, cabelo ou olhos. Não sei qual seria os parâmetros que os pais, se podemos chama-los assim, utilizariam como meio de se livrar de um dos filhos.
Isso, diria, é surreal. A que ponto nós, "seres dotados da razão e da lógica" chegamos? Mas como nós somos maldosos leitor, não temos a capacidade de entender o desejo do casal, eles só queriam dois! O terceiro, em outras palavras, diria que no português claro e objetivo, que se dane, tanto fez como tanto faz. Não é isso que podemos concluir, com base nas atitudes desses "pais"? Se vermos aos olhos da religião, os filhos são presentes de Deus, dádivas, troféus para os pais, uma das provas concretas que existem sim um Deus, a perpetuação da raça...
Ora, esses mesmos pais, que segundos filosofias religiosas edificam seus filhos antes mesmo deles nascerem, são os mesmos que os rejeitam. Não é um caso inédito, temos muitos exemplo assim. Mas enfim, será que não seria conveniente o aborto?
Digo aborto sim. Reflita: O que pensaria uma criança sabendo que seus pais não os querem? O que você pensaria, sabendo que seus pais não o querem e você fora feito por "engano"? Qual seria o futuro de um ser-humano rejeitado pelos próprios pais?. Não, não. Aborto é contra as leis divinas, contra as escrituras, o direito à vida e tudo mais. Sim, tudo bem. Mas o que é um pai contra o nascimento de um de seus filhos? O que é o homem lutando contra o próprio homem? Temos de tomar medidas urgentes, a sociedade está começando - se é que não começou- a depravar a si mesmo. Sim, a sociedade já começou! Como pode perceber, entrei em contradições de pensamento, porque insisto em acreditar em dias melhores, insisto em acreditar naquilo que chamamos de utopia. Não existira uma sociedade perfeita, mas podemos sim, tornar a sociedade consciente de seus atos, a lei da ação e reação.
Um dos grandes problemas do mundo, é a falta de planejamento familiar. Uma família planejada, seja económica e psicologicamente, mudaríamos significativamente esse cenário. Claro que haverá, digamos, imprevistos, mas uma criança sendo educada por pais responsáveis, por famílias que não surgem do acaso, poderíamos sim, revigorar os rumos que seguiremos no futuro.
Margareth Zanardini, advogada dos pais, diz que eles estão "desesperadamente, procurando todos os meios" para ter seus filhos de volta, e mais: farão apelo internacional. Será que adianta agora? Seria o futuro dessas crianças, separadas ou não, literalmente jogadas como lixo para adoção?. Logo veremos uma placa: Filhos por encomenda, compre dois e leve o terceiro de graça.
Como disse Raul Seixas " A arte de ser louco é jamais cometer a loucura de ser um sujeito normal". Louco ou não, tire suas próprias conclusões leitor.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Bicho Homem.

Mais uma vez a tão prestigiada "Cidade Maravilhosa" deixou marcas hoje no riquíssimo histórico criminal; derramamento de sangue, destruição de famílias e entre outros mais que o Rio de Janeiro vem sofrendo. Mas dessa vez algo diferente, se assim podemos dizer, nos trouxe o sentimento de repúdio e inconformismo quanto as atrocidades do homem para com o seu semelhante. Talvez pelo fato de fugir ao nosso padrão cultural, fiquemos estarrecidos ao depararmos com uma verdadeira chacina.
Wellington Menezes de Oliveira, 23 anos, entrou na escola municipal Tasso da Silveira no Realengo, zona oeste do Rio, para o que ele chamou de uma palestra em comemoração aos 40 anos da unidade. Sem menos esperar, sacou sua arma e atirou, provocando a morte de pelo menos 11 crianças e muito feridos, segundo informações atualizadas. Pois bem: deixemos de lado os números e estatísticas. Agora eu pergunto a mim mesmo, ironicamente, o que são algumas dezenas de crianças mortas, se compararmos as tantas que estão para morrer nos próximos minutos, horas, dias, enfim, em todo território brasileiro, quantas dezenas de "brasileirinhos" como disse a presidente Dilma, estão prestes a perder um futuro? Esqueçamos novamente de dados, e passemos a refletir em quanto sangue esta sendo derramado em todo país. Claro que o fato ocorrido no Rio hoje nos deixa estupefados, uma vez a escola que tem por finalidade a formação de futuros cidadãos, tornar-se drasticamente em um palco de tragédia grega. Isso nos causa todo esse sentimento humanitário, crianças indefesas, vendo suas vidas e de seus colegas sendo tiradas, ao mesmo tempo. Agora se fosse por exemplo 11 crianças em eventos separados, independente do lugar, sendo mortas, será que isso chamaria a atenção em massa, as redes sociais, meios de comunicação, enfim, será que nos causaria esse sentimento? Sim, é "normal", satiricamente dizendo, crianças morrerem em meio a grande criminalidade que encontra nosso país, que não é um evento isolado, uma vez que a criminalidade existe em todas as sociedades. Ora, você se pergunta, mas disso eu já sei, que existe criminalidade em todo o mundo. Sim, indelevelmente existe, mas eu reafirmo aqui para deixarmos claro que isso não é exclusividade brasileiro, como muitos pensam. Casos assim não fogem dessa mesma dita "normalidade" nos Estados Unidos por exemplo, que eu poderia perder aqui horas e horas citando exemplos.
Agora a conversa é diferente, aconteceu aqui em meio a nossa cidades. Será que absorveremos com tanta intensidade um possível segundo acontecimento parecido como esse?
De uma coisa estamos certos, e que em mim, particularmente me deixa remansoso é esse sentimento humanitário que contagia o brasileiro nesses momentos de socorro, assistência e amparo aos que precisam. Isso nos humaniza, literalmente é um tapa na cara, que nos mostra a nossa condição de igualdade e fragilidade, ela mesma, que tanto cito aqui: a condição humana.
Em carta deixada pelo autor do crime, ele mostrou um certo descontrole, até mesmo uma certa insanidade movidas por conspecto de doutrinas religiosas, no caso o islamismo. Ele via "impureza nas crianças", " não poderia ser tocado por fornicadores", deixou uma casa no qual ele quer que seja usado por " pessoas generosas que cuidam de animais abandonados", afirmou também ser portador de HIV. Está claro para nós que eles estava descontrolado. Entre essas e outras, vale lembrar que o presidente da Comissão de Ética da União Nacional das entidades Islâmicas do Brasil, Jihad Hassan Hammad, não reconheceu a relação de Wellington com o Islamismo e que o "Alcorão diz que aqueles que tiram a vida de inocentes é como se estivesse assassinando toda a humanidade" e que o "islamismo não aceita extremismos". Mas não podemos negar o fanatismo de certas pessoas, falando da religião como um todo, no qual são capazes de matar em nome de seu deus.
Para o sargento Marcio Alvez que atirou na perna de Wellington, impedindo que ele fosse para outras salas de aula, vê essa situação como dever cumprido. Para nós que assistimos vemos como um ato insano de covardia sem explicações.
Primata bípede, do gênero Homo, família Hominidae, mamífero e blá blá blá. Não conhece? Pois eu te apresento ao bicho homem. Que preza antes de mais nada seus interesses e ideologias pessoais, nem que seja preciso matar, roubar, de certa forma manipular os seus semelhantes. Este é o bicho homem. Bicho, como você leu. Não sei se poderia colocar aqui a "principal" característica  que nos distingue de outros animais, além das características morfológicas. Falo da razão, do raciocínio. Isso anda em falta hoje.
Aproveitando essa linha de pensamento, quanto as características da evolução biológica do homem, termino com a frase de Mário Quintana; " O que me impressiona, à vista de um macaco, não é que ele tenha sido nosso passado, é este pressentimento de que ele venha ser nosso futuro".

quinta-feira, 31 de março de 2011

TRANSFORMAÇÃO I

Algumas pessoas que acompanham o blog me deram a ideia de colocar aqui, além das postagens semanais, tópicos sobre comunidades, entidades não governamentais sem fins lucrativos, projetos sociais em geral; pessoas e comunidades que muitas vezes agem no anonimato, visando melhorias na qualidade de vida em seu bairro ou cidade, assim proporcionando cultura, responsabilidade moral e cívica, em suma: formando os cidadãos do futuro. Pessoas que se cansaram de esperar e botaram a mão na massa, que dão vida a TRANSFORMAÇÃO.
Assim tem sido o projeto Viva Favela,criado em julho de 2001, no qual moradores com reportagens, vídeos e fotos retratam a vida em comunidades da periferia, seus problemas e as medidas adotadas para superá-los. O projeto propõem mudanças sociais no combate a desigualdade e restauração da qualidade de vida. Sobre coordenação de Mayra Jucá, Viva Favela está mostrando que é possível " deixar este lugar melhor do que encontrei" Conheçam mais sobre o projeto http://www.vivafavela.com.br



terça-feira, 29 de março de 2011

Amor à vida.

Dos muitos títulos que poderia escolher, não há melhor que sintetize José Alencar Gomes da Silva se não o amor à vida. Não poderia deixar de dar meu parecer em um momento de grande pesar. Hoje pela manhã, vendo ao noticiário, novamente pudemos acompanhar essa dura caminhada e infatigável luta em busca de prorrogar sua morte. José Alencar não só foi, mas será para todos os brasileiros que tem consciência de sua representatividade, um exemplo de superação e altivez, que começa pela sua família e alcança as fronteiras dessa nação continental. José Alencar é o modelo concreto do que chamamos de fé. Foram 17 cirurgias. Perdeu rim, partes do estômago, intestino delgado e grosso, mas não perdeu a alegria, não perdeu o sorriso. Marca indelével da sua personalidade. Até o ultimo momento de vida ele não se deu por vencido ao cancêr. Vale lembrar sim ao que muitos especulam ser sorte, se tratando de suas condições financeiras, que ajudaram - e muito - o seu tratamento até aqui. Agora te pergunto leitor, sorte?
Ele nasceu em 17 de Outubro de 1931 em Muriaé, Minas Gerais, aos 7 anos começou ajudando seu pai em uma loja, com 14 irmãos, aos 14 começou a trabalhar como balconista numa loja de tecidos " A Sedutora". Muda mais tarde para Caratinga no qual destacou-se como grande vendedor. Aos 18 abre seu próprio negócio "A Queimadeira". Mais tarde ele ajudou a dar vida a Coteminas. Eu assisti a uma de suas entrevistas ao Jô Soares em 2010 ( que inclusive recomendo a assistir os vídeos) que ele conta por exemplo em tom humorado e bem emocionado o que ele fazia com seu salário, e mostra a sua vocação desde cedo para os negócios. Depois de tomarmos noção de sua trajetória, de balconista a dono de um império têxtil, de uma família simples a vice-presidente da república, eu te pergunto, seria mesmo sorte? Não, isso é persistência, é coragem de encarar a vida e provar que é possível.
Dos muito sinônimos ditos aqui em se tratando de José Alencar destaco a tenacidade. Ele mesmo fazendo parte do corpo administrativo e governamental do país, fora um crítico ferrenho em se tratando de juros por exemplo. Mais uma prova de seu compromisso com a verdade, de seu caráter e brio. Só mesmo um homem assim, com essas e muitas outras qualidades, teria integridade ao se tratar de críticas. "Não tenho medo da morte, não sei o que é morte". Só mesmo um homem como José Alencar poderia enfatizar essa posição, como muitas vezes fez. Homens assim fazem falta para o Brasil. Mas ele cumpriu sua missão, deixou suas marcas, carimbou sua existência na história. Encerro com os seguintes dizeres que julguei mais adequados ao momento: "Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé". Meus pêsames.

Nenhuma novidade.

Pela manhã, pesquisando material para a postagem do blog me identifiquei com uma reportagem em especial. Vale lembrar antes de mais nada, que os créditos da informação se deve a Diógenes Muniz e todos os demais profissionais envolvidos, da Folha. Pois bem: "Engraxate mora em árvore em plena Av. Marginal Leste" é o título da reportagem. Fantasia ou puro radicalismo de defensores dos direitos humanos - que para muitos não passam de desocupados. O que você pensa ao ler isso? No mínimo seria uma especulação da mídia. Entre essas e muitas outras conclusões pessoais, por mais que sejam variadas, um conspecto poderia enfatizar a reação ao lermos a reportagem: a tolerância. Você não leu errado, é isso mesmo, tolerância, disposição em admitir algo naquilo que não nos convém. É comum hoje para todos nós no tão proclamado "tempos modernos", em pleno "século XXI", na era da revolução de pensamento vermos filhos matando pais, crianças tendo filhos. Repito, crianças tendo filhos!. E nessa linha de pensamento é mais do que comum um homem qualquer morar em uma árvore, afinal o que esperamos de um engraxate? Uma casa decente, uma família feliz? Não, esperamos dele que deixe nossos sapatos brilhando. Ridículo seria mesmo dizer que um procurador da justiça dorme em meio a jornais em uma rua qualquer.
A verdade é essa, que tudo que existe hoje, na tão lembrada Declaração dos direitos do homem, direitos dos animais, direitos da criança e adolescente, direitos da mulher, direitos do idoso, direitos da árvore, da pedra, dos lagos, da flora em geral, enfim, na era dos Direitos de todas as formas ( e nenhum dever) tudo isso é comum, é normal. Vale lembrar que é normal desde não seja comigo.
Não poderia deixar de citar nossa personagem principal, André Luiz Rodrigues Augusto. Surpreso? Pois é, engraxate também tem nome. Segundo seu relato, ele fora jogado pela mãe no lixo, adotado, fugiu por conta das agressões que sofria, sem documentação, sem destino, sem nada, está por ai no mundo engraxando, catando latinhas, morando em uma árvore, fugindo dos perigos da noite paulistana, mendigos sendo queimados na sé, outros sendo baleados ali, outros lá. André está la em cima, se escondendo como caça do caçador. Agora, é novidade isso pra você leitor? Ficou surpreso? Claro que não, já sabemos disso a muito tempo, assim como sabemos que um mais um é dois. Lógico. Para André uma mais um é quatro, dez, quinze. Quem dera se um mais um fosse igual a dignidade.
E eu com isso? Mas o que tudo isso importa, deixemos problemas alheios de lado e desfrutemos nosso prato de comida na mesa e uma boa noite de sono naquela cama confortável. Claro, o que importa antes de tudo somos nós. Termino essa postagem como termina a matéria "Não é porque eu moro numa árvore que sou feliz"

quarta-feira, 23 de março de 2011

Somos a rocha.

Alguns dias antes da chegada do presidente americano Barack Obama ao Brasil, já formulava algumas deduções quanto aos seus discursos. Não tive tanta surpresa. O Povo -  isso mesmo, com P maiúsculo- como de costume fora aclamado, exaltado, colocado nos mais altos patamares globais, como de costume, afinal, não é esse um de nosso desejos mais profundos? O desejo do reconhecimento, o sentimento da vanglória. Ah, hormônio poderoso e afamado que circula por nossas veias!. O brasileiro mais uma vez ouviu o que queria ouvir, bebeu desse vinho chamado ego. Mas não estamos bêbado não. Sim, ele mesmo, considerado o homem mais poderoso do mundo, acariciou nossas cabeças, andou por nossas ruas, subiu o morro de nossas favelas, sim ele mesmo. Nos encheu de mimos e afagos, nós que adoramos bater no peito, na raça e bradar aos quatro ventos com a fúria de um leão ao som da mais harmoniosa sinfonia "Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor"( normalmente falamos isso em copas do mundo ou seja, de quatro em quatro anos).
Foram momentos históricos: o primeiro presidente negro Norte-americano e a primeira mulher presidente do Brasil, ambos figuras simbólicas de renovação ideológica, que por força de aclamação social tornaram-se ambos, puras estratégias de marketing, que por sua vez são de incontestável importância, uma vez que são a alma do negócio, a propaganda do produto que vendemos.
Tenho a leve impressão que o Brasil cheira ouro negro la fora, cheira petróleo puro, ou ainda eles sintam o doce caldo da cana-de-açúcar, ou aquele leve frescor do álcool em contato com nossa pele, que me lembra etanol. Seria isso um pequeno delírio do meu pensamento leitor?
É indiscutível, por mais cético que sejamos, o novo cenário global, nas diversas questões políticas e econômicas a presença brasileira nas opiniões e decisões. Estamos ganhando destaque nos palcos mundo a fora, o que foi um dia país-colônia, um território onde imperou uma sociedade escravocrata, uma população que em 1964 viu sua voz calada, seus direitos reprimidos pela ditadura, hoje se ergue como a sétima economia global, hoje se mostra uma nação-superação. "O Brasil é a bola da vez", pena que não é uma bola de futebol, tirávamos de letra, mas fazermos o que.
Em suma, a visita de Barack Obama pode sim ser vista como um reconhecimento desse novo Brasil, mas também, é claro, movida por interesses diplomáticos. Mas afinal o que trouxe Obama ao Brasil? Eu, buscando uma resposta objetiva que sintetizasse essa pergunta, encontrei alguns dizeres que até agora foram os mais cabíveis. " O maior medo de um rei é de perder a sua coroa". Vamos e venhamos, Estados Unidos já perderam seu trono, e o Brasil com isso? Somos a rocha, para uma possível edificação segura dos novos muros Norte-americanos.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Provocando a própria morte.

Ficamos surpresos ao vermos a reação japonesa em meio a destruição de comunidades inteiras, casas destruídas, famílias separadas em busca do paradeiro de seus parentes mais próximos temendo o pior, isso se é que pode haver o pior, depois de um terremoto de 8,9 graus da escala Richter e um tsunami com ondas de até 10 metros, ficamos surpresos sim, com o comportamento social em meio de toda essa lástima; a ideia de pensar no próximo, de pensar no coletivo; ficamos estagnados com controle primeiramente pessoal, que resulta por fim no controle social. Mas era de se esperar um país acostumado com catástrofes naturais, já que se encontram próximos a falhas geológicas e também vale lembrar que estamos falando da terra dos Samurais no qual sua principal característica era a disciplina, que conta e muito em momentos como esse. No Japão a população é educada desde cedo como proceder em momentos de terremotos e tsunamis. Prova disso por exemplo é a palavra Tsunami, que provém do japonês. Podemos resumir todo esse processo numa característica  natural do homem: adaptação. É inquestionável a força que a natureza resulta sobre nós e que nada somos contra ela. Com todo treinamento e preparo existem falhas, claro, uma vez que terremotos são alertados minutos antes. Podemos concluir então que não podemos controlar a natureza e seus efeitos, uma vez que tudo está em constante processo de transformação. Mas pode haver algo pior que isso? Terremotos, ondas gigantes. Pode sim, e como! Falo da energia nuclear.
Esse é um produto da ação do homem, portanto responsabilidade do mesmo. É inimaginável a força resultante da energia produzida pela reação em cadeia da fissão nuclear, as consequências sofridas pela vida que entram em contato com a radiação. Essa mesma energia, que por "ironia do destino", assim dizendo, destruiu as cidades japonesas de Hiroshima e Nagazaki em 1945, e fez de Chernobyl uma cidade-fantasma em 1986, agora estão mostrando sinais de vida em Fukushima. Será esse nome, Fukushima, o próximo da lista de desastres provocados pelo homem? Descendentes até hoje apresentam problemas congênitos e anomalias genéticas  de acidentes nucleares. Grande porcaria tudo isso, o que eu tenho a ver com esse problema?.Bem você não tem  nada a ver com problema nenhum, desde que você viva em Marte ou outro confim do universo. Se bem que o homem anda mais com o pensamento na lua, mas enfim, como disse é inimaginável a força destrutiva da radioatividade. O que diferencia o Brasil do Japão? Muitas coisas você responderia: O brasil é a sétima economia do mundo, já o Japão é a terceira maior. Também podemos citar nossas características morfológicas, que nos distingue, os olhos puxados, altura, entre outras formas; budismo religião predominante lá, cristianismo aqui. Entre muitas outras diferenças sociais e culturais, uma nos iguala: a condição humana. Somos humanos, leitor, grande novidade!, clichê básico. Para entendermo realmente isso precisamos literalmente sentir na pele a terra tremer, não em bailes de funk, onde o chão treme todo (como de costume brasileiro), precisamos ver nossos amigos sendo levados pela água, precisamos sentir a excêntricidade da vida. Assim, possamos entender definitivamente nossa fragilidade.

Nesses momentos apelamos à Deus, ajoelhamos, prometemos, rendemo-nos. Mas cadê ele? Não salvou as vítimas, estava dormindo na hora do tremor? Ou será que Deus não aguenta mais por o seu dedo divino nos nossos problemas, será que ele não se cansou de passar a mão em nossas cabeças? Se virem! Por enquanto vivemos, até que venha a morte, nós a provocando ou não.

Termino agora com as palavras de Friedrich Nietzsche.
Deus está morto! Deus permanece morto! E quem o matou fomos nós! Como haveremos de nos consolar, nós os algozes dos algozes? O que o mundo possuiu, até agora, de mais sagrado e mais poderoso sucumbiu exangue aos golpes das nossas lâminas. Quem nos limpará desse sangue? Qual a água que nos lavará? Que solenidades de desagravo, que jogos sagrados haveremos de inventar? A grandiosidade deste ato não será demasiada para nós? Não teremos de nos tornar nós próprios deuses, para parecermos apenas dignos dele? Nunca existiu ato mais grandioso, e, quem quer que nasça depois de nós, passará a fazer parte, mercê deste ato, de uma história superior a toda a história até hoje!

quarta-feira, 9 de março de 2011

Acabou, e agora?

Ah, o carnaval! "O tempo esquentou, O samba vai raiar, Quem é fraco se arrebenta, Quem é forte, vai sambar, Até de manhã."  Assim tem sido esses últimos quatro dias de esbórnia, a farra, a bebedeira, a vida boemia de ser. Carnaval é tempo de alegria, de sacodir o esqueleto, de por pra fora nossos instintos primitivos, no carnaval somos como a Sandy: mostramos nosso lado Devassa, o lado libertino, o lado libidinoso de ser. A ginga sensual toma conta de nossas veias, o rebolado se espalha pelas planicies do território, o frevo, Olodum, o samba-enredo a união de todos os ritmos e sons com um propósito: suscitar o nosso desejo guardado por meses, o desejo da carne, o desejo do contato, corpo a corpo, de beijar na boca, de beber até não aguentar, de colecionar nosso albúm de ficantes(só não fale repetir figurinha);enfim, é Deus no céu e o carnaval no Brasil.
O carnaval não é brasileiro, como muitos imaginam. O carnaval tem um origem incerta: uma festa primitiva, pagã, em adoração aos deuses, Baco por exemplo, deus do vinho ( que alegrou e muito o coração do homem, nesses dias de folia), também as Saturninas romanas, ligadas a celebrações órgicas. Mas carnaval também vem de "carne vale" ou " adeus a carne", que antecede o início da quaresma.
Mas voltando ao Brasil, o carnaval sendo profano, pagão ou religioso, sintetizando, seja qual for a origem do carnaval, ele traz por consequência alguns "probleminhas" (minimizando a palavra talves possamos nos cativar ainda mais com ela). Daqui a nove meses por exemplo, as maternidades estarão movimentadas, adolecentes tendo seu primeiro, segundo filho, muitas delas abandonadas pelos pais, isso se é que elas saibam quem são os pais, afinal, carnaval ninguém é de ninguém. Jovens morrendo em estradas por estarem alcoolizados. Vamos e venhamos agora, é ridículo, hoje, com tanta informação ( que em mim me da certo desprezo em ouvir), tanta conscientização, o cara se matar batendo de frente a outro carro ou mais ainda, fulano dizer que esta com Aids, HIV, seja que pandemônio for, tudo isso se tornou de certo modo ridículo, sem sentido, uma vez que estamos carecas de ouvir, popularmente falando. Não basta distribuição gratuita de camisinha? Já sei, não tem de sabor morango que você tanto queria. Cartazes e comerciais coloridos previnindo sobre acidentes no transito? Querem exemplos claros de frases clichês? " Se beber não dirija", "se transar, use camisinha". De certo modo tenho vontade de rir da pessoa que me fala isso. Mas por outro lado, falando tudo isso mesmo assim acontece, imagine se não falassemos? Depois me dizem..." nossa estamos em pleno século XXI", sim eu sei meu caro. Acontece o seguinte, os séculos estão passando, as coisas mudando, mas ainda insistimos em sermos parvos, fúteis.
Aproveitemos, então o carnaval, alimentemos nosso libido, fortaleçamos nossos devaneios e desilusões. Não existe melhor representante do carnaval senão a figura idônea do Rei Momo, que por incrível que pareça, segundo a mitologia, de personalidade zombateira e sarcástica, fora expulso do Olímpo - morada dos deuses- porque ele ridicularizava as outros divindades, tinha isso por diversão.Quer melhor representante que esse, zombador e sarcástico? Pois bem, terça-feira foi o dia que nossos corpos pegaram fogo, entramos no apogeu da nossa carne, sentimos esse calor contagiante do carnaval em nossas veias, pra Quarta-feira, amanhecemos em cinzas de tanto queimarmos. Bem vindo a realidade: compromissos, trabalhos, dívidas... a vida leitor. Temos de encarar.
Afinal, não somos a Mulher Maravilha pra fugir com o Super-men.

terça-feira, 1 de março de 2011

Telas da Imaginação.

No último Domingo assistimos à 83ª cerimônia da entrega do Oscar, que premia, por excelência, os destaques cinematográficos do ano. O cinema é uma das diversas ferramentas utilizada por nós, para a expressão, ou seja, a manifestação natural do individuo seja ideias, pensamentos, sentimentos, n formas de pensarmos em algo e desejarmos a sua realização. Portanto, expressão é a materialização de nossos então pensamentos, é o libido carnal de vermos e ouvirmos aquilo que almejamos, de querer ser aquilo que sonhamos. Sonhos: essa é uma palavra forte para o cinema, em suma para a vida. Ao assistirmos um filme, compartilhamos de um mesmo sonho, compartilhamos um estado de êxtase, num estado ilusório de realização de nossos mais íntimos pensamento, já que a "expressividade é um dado de aproximação, raramente de exatidão". Todo esse processo vêm sendo desenvolvido a milênios, uma vez que o homem, conquistando a capacidade de pensar e articular suas opiniões, descobriu particularmente em desenhos, consignar seus feitos diários, propiciando o inicio da necessidade de expressão, a necessidade de respostas e o reconhecimento de igualdade, em condições naturais, em relação a outros animais, a biodiversidade em si. no qual não somos mais, nem menos, somos iguais. Assim, como tudo tende a evoluir ( menos nós que insistimos em crescer iguais a rabos de cavalo, para baixo), os diversos modos de expressão evoluíram, de rabisco rupestre até as telas do cinema, as telas da imaginação.
Mas ao terminarmos de assistir nossos ditos "sentimentos", saímos desse estado transitórios e entramos no estado real. O cinema é como nossa mente, esperamos impacientes na fila, pagamos certo preço para entrar nele, adentramos em corredores escuros, grandes cubos negros e no mais inesperado momento, no mais inusitado, eis que surge uma forte luz: o filme começou. Tomamos um banho divino de sensações, ali somos o que queremos, mas de certo modo não podemos ser, ali somos heróis, mocinhos, vilões, vemos refletir sobre nós o doce gosto da ilusão. Assim é nossa vida. Ah, aluados devaneios!
Como toda sessão de cinema tem um fim, nossos insanos desejos também somem, acordamos para o mundo em nossa volta, problema aqui, ali incêndios, lá enchentes... Bem vindo a realidade, mundo cruel, regida por leis naturais, onde lutamos ou morremos, e por mais que a escolha seja lutar, no final sempre morremos. Crueldade, desigualdade, destino? Não, isso é o mundo das ideias, de expressões, um mundo regido pelo milagre da renovação, onde nada nasce e muito menos morre, tudo se renova, no qual temos oportunidade de moldar, onde podemos materializar, segundo nossa expressões, segundo nossa lucidez.
Toda essa perda de razão, do certo ou errado, do sim ou não, do real ou imaginário, tem uma finalidade: mostrarmos para o mundo que existimos, mostrar que ocupamos espaço no universo. Essa é uma das finalidades do meu blog, me expressar para as pessoas, mostrar que existo. Oi, estou aqui! eu existo. E você leitor, você mesmo, existe, é real? Se sim, mostre para o mundo, materialize-se para que todos possam te ver, mostre-se!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Nossa própria prisão.

"Não julgueis, pois, para não serdes julgado" é o que adoramos dizer as pessoas, na tentativa de mostrar, em vão, nossa retidão. Papo furado! Seja hoje ou amanhã, daremos nosso parecer a um acontecimento, um fato em si, que é natural, em nossa condição humana, manifestamos nossa opinião segundo nossa razão que infelizmente anda em falta. Pois bem: somos de modo geral "juízes" de problemas alheios, de certa forma, buscamos nos isentar do sentimento de culpa, afinal, "pimenta nos olhos dos outros é refresco". Uma mãe em desespero rouba um pote de manteiga, para saciar a fome de seu filho de 2 anos; "Estou-lhe roubando senhor", disse um ladrão educado nos Estados Unidos, um senhor de 65 anos que rouba US$ 300 para pagar contas e alimentar os filhos; ou ainda o mito, a lenda, a proeza de nossos imaculados e "Genuínos" políticos, o inesquecível (mas que ninguém mais se lembra) caso dos Dólares na cueca. Você, caro leitor, sendo o juiz da corte, qual seria seu veredicto a cada caso que apresentei? regime semi-aberto, prisão perpétua...? Não sabe? Pois bem: a mãe que roubou um pote de manteiga foi condenada a 4 anos de prisão, o ladrão educado foi detido nessa Segunda-feira em Seattle, EUA e os dólares na cueca, suponho eu que foram usados como papel higiênico e seu feitor é tratado como doutor. Sente a atmosfera que somos de certa forma obrigados a conviver, sente esse oxigênio que comprime nossos pulmões?
Não afirmo aqui que furtar um pote de manteiga, roubar um caixa de uma loja ou ainda colocar dólares na cueca seja um ato plausível, afirmo sim que furtos e roubos seja de pequena ou grande escala, como os exemplo citados, mostram por si mesmo nossa pequenez, seja na necessidade de uma mãe em alimentar um filho com fome ou a a soberba de ter mais alguns zeros em sua conta no banco ( de preferência em dólares).
De certo modo, caracterizado de violência, todas essas ações, que ferem o senso, que classificamos como certo ou errado, são consequências do fracasso, do desespero, violência é a ultima saída para conseguir o que necessitamos, em suma, para nossa sobrevivência, no caso da manteiga ou o bem-estar, no caso dos dólares.
Violência não é uma ação desesperada, é uma reação, muitas delas até inocentes, movidas por nossos instintos naturais de sobrevivência, é uma resposta ao descontentamento da realidade que criamos, seja no desemprego, pobreza ou até mesmo nossa cara de pau, na qual espalhamos a cultura da fraude, da vantagem ilícita, os famosos 171. Temos uma ferramenta em comum, conquistada por luta em busca nossa sede descontrolada de direitos; direitos aqui, direitos ali, direito lá, em todo lugar. Só queremos nosso direito, já nossos deveres, ah!,  isso ninguém sabe, ninguém viu. Sempre tem um otário que se encarrega dele, bem ali, logo atrás, na fila de nossos interesses pessoais, no qual, logicamente sempre estamos em primeiro lugar. Enquanto, o presidente do Senado, José Sarney discute com a vice-presidente, Senadora Marta Suplicy se chamam de presidente ou presidenta ao se referir à Dilma Rousseff ( no qual ambos estão corretos), estamos vivendo, ou sobrevivendo às indiferenças. E já que falei de política, parabenizo, finalmente um verdadeiro representante do povo, palhaço Tiririca, que demonstra nossa verdadeira face, a de palhaços. Assim, pais e mães desesperados sendo presos por pequenos furtos e políticos rindo de vento e popa estamos a mercê de nossa própria prisão.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Faraós do século XXI.

Nos primórdios da História, desde que o Egito é Egito, fora surgindo em meio ao deserto, lugar que nos parece inóspito para a vida e nas margens do grande Nilo uma civilização descomunal, eu diria, para o período histórico que se encontravam; história essa escrita por muitas linhas de sangue e o sofrimento da maioria - que novidade! Também desde que o Homem é dado como tal, não me surpreende mais o desmesurado desejo de poder que alimentamos, a incessante tentativa de deixarmos nossas marcas na linha do tempo, nos tornarmos imortais aos olhos da sociedade, movidas por nossa vanglória, nossa pura vaidade. E conseguiram. Quem nunca ficou em estado de hipnose, admirando as grandes pirâmide de Gizé, ou ainda a imponente Esfinge a milênios adormecida em sono profundo? Ah quem diga, como forma de vulgarizar o sofrimento de milhares de homens por traz dessas obras, que tudo isso não passa de obra alienígena. Aproveitando o censo humorístico, textos e livros apresentam o Egito de hoje como uma república. Alto lá!. É mais que irônico isso, se pesquisarmos o significado de república encontramos o seguinte: "coisa pública" chefe de estado é eleito pelos cidadãos, tendo a sua chefia uma duração limitada, através do voto livre secreto. Satírico isso não?
A série de manifestações ocorridas no Egito comprovam a desfaçatez da república regente no país. Atos de desobediência civil sim, mas também atos de obediência e submissão a a seus direitos, à seus valores morais e cívicos. Não há muitas novidades: inflação, censura a liberdade de expressão, corrupção, em suma, estado de excessão. Isso é uma pequena parcela do problema; tem sujeira debaixo do tapete, já era de se espera, a quase 30 anos no poder, Hosni Mubarak não tem mostrado habito de asseio público, de asseio social. O inenarrável defensor da soberania, da ordem pública, paz mundial, da liberdade e livre expressão popular, eles mesmo, leitor, os Estados Unidos da América vem a algum tempo por trás das cortinas - como sempre -, apoiando o regime de Muraback. Os clamores da população abalaram essa aliança de Washington e Cairo e agora o que fazer, sair dessa leve brisa regida entre os dois países ou entrar na calorosa revolta popular? Não importa qual seja a escolha, o importante é que no final desse filme, os Estados Unidos saia como o mocinho de toda a trama, seja aclamado e desejado pelas donzelas, seja o sonho o o desejo de todos os rapazes, vencer o vilão e beijar a mocinha no final. Sem esquecer, é claro, da Grande Muralha da China, a sim, ela mesma!. Nada passa por ela. Os noticiários estão sendo censurados para não despertar o desejo popular chinês ( que já existe) por mudanças em sua política. Hoje está em queda as eminentes pirâmides, amanhã quem sabe a inefável muralha da China.
Ah milênios éramos governados por imperadores, reis,rainhas, entre outros, pouca coisa mudou, só estamos presenciando a queda de um Faraó do século XXI.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Mascara virtual.

Ontem, 24 de Janeiro, o Papa Bento XVI apresentou uma mensagem especial para o 45º Dia Mundial das Comunicações Sociais, que será celebrado em 5 de Junho, com o tema:"Verdade, anúncio e autenticidade de vida na era digital." Em resumo, o pontífice deixa claro o papel dos meios de comunicação da era digital, o papel assumido por ela, o modo que a utilizamos e a criação de perfis falsos.
Analisando o dia-a-dia social, podemos ver claramente a substituição de pessoas por maquinas. Escolhemos escutar o som de um computador, que se torna insuportável com o tempo de uso, do que um som natural agradável em nosso derredor, escolhemos sentir o calor do computador ligado por horas, do que sentir um caloroso abraço de um amigo, preferimos viver uma vida virtual, e esquecermos a nossa vida real. Isso sem falar que até sexo deixamos de fazer naturalmente e optamos pelo sexo virtual. Saudades do tempo em que o coração acelerava de ver o carteiro chegando e parava na expectativa ao abrir uma carta, louca pra lê-la; agora lemos e-mail, um clique aqui, outro ali e pronto. Álbum de família não existe mais, pra isso que existe programas de edição de fotos, oras.
Seria isso a criação controlando o criador? A criação de perfis no mundo digital nos fez esquecer o mundo real em que vivemos. No mundo digital tudo somos, tudo podemos: homem ou mulher, feio ou bonito, loiro ou moreno, aqui somos o que queremos ser. Muitos de nossos perfis digitais não passam aquilo que realmente somos. Deixamos de lado nossa vida social, nossos familiares e amigos e alimentamos o nosso falso-eu virtual. A Internet é uma releitura do espelho; no espelho vemos o que realmente somos, no espelho virtual, a Internet, moldamos como sonhamos em ser.
Com o tempo pude notar que essa nova forma de interação com o mundo, com a sociedade, nos tornou apáticos, perdemos a afetividade com o próximo. Poderia isso ser uma boa explicação para o mundo em que vivemos: nos tornamos indiferentes em relação a espécie, nos alimentamos com o sadismo e insignificância do outro e nos envaidecemos por sermos "únicos". Todos esses devaneios sociais fotografam o mundo atual: morte, fome e guerra de uns,  glória, fartura e alegria de outros. Ah, mascaras virtuais!
Os perfis virtuais são um dos caminhos que encontramos para nos escondermos da realidade que nos cerca. Os perfis virtuais são vendas em nossos olhos para cegarmos aquilo que não queremos ver, os perfis virtuais são musica, para não escutarmos o grito que ecoa la fora. Portanto, revejamos nossos papéis social, não deixemos que esse grande espetáculo que é a vida se estrague com papéis de atores medíocres que somos. Não poderia deixar de revelar o clichê, como sempre, depende mim e você leitor, depende de nós. Ainda há tempo de concertamos, antes que as cortinas do tempo se fechem e o espetáculo fique qualificado como horrendo.E assim caminha a humanidade. Vamos ao espetáculo.
Luz, câmara, Ação!

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Fomos pego de surpresa.

Não é de hoje que o estado do Rio de Janeiro vem sentido a força destrutiva da natureza ou os resultados da indiferença do homem para com o próximo. O que aconteceu na região serrana do Rio de Janeiro é produto de diversos fatores que a anos vem se acumulando, variando desde a ocupação desenfreada de regiões inapropriadas à falta de planejamento de políticas de prevenção. Em 1967 uma catastrófe devastou uma região do Rio, outra em 1981, assim sucessivamente; então Janeiro de 2010, agora Janeiro de 2011. Está mais do que claro para nós, pobres seres humanos, que somos incapazes de conter a fúria da natureza e mais claro ainda o sentimento de repugnância, apatia e frieza por parte de nós mesmo, quando se trata de vidas alheias. Para muito que lerem isso agora irão me chamar de dissoluto, indecente, dizendo todas essa bobagens, todas essas infâmias. Como alguém pode nos chamar de frio, de repugnante depois de todos os esforços para arrecadarmos alimentos, roupas e remédios, depois de toda solidariedade e união em prol dos que necessitam, depois de fazermos o possível e impossível para ajudar, depois de tudo, venho eu aqui dizer que somos indiferentes ao próximo? Sim, somos.
Do que adianta agora construirmos toda essa corrente solidaria, todo esse sentimento contagiante de caridade? Como dizem, não adianta chorarmos pelo leite derramado, neste caso, não adianta chorarmos pelo morro desmoronado! "Fomos pego de surpresa?!" Está aqui uma prova desse indiferença que alimentamos. Como alguém pode ter a cara de pau de dizer que fomos pego de surpresa, depois de ano após  ano, de morte após morte, falarmos que fomos pego de surpresa?
É ridículo falarmos que sentimos na pele a dor dos que tiveram suas casas levadas pela lama, famílias inteiras soterradas, que sabemos o que é cavar com as próprias mãos em busca de seus filhos, pais e amigos, que imaginamos o que é estar no lugar dessas pessoas, passando pelos mesmos problemas que eles. Você sente realmente o que é estar no lugar dessas pessoas? Sente mesmo o que é ser soterrado? Não.
Os moradores dessa região não pediram alimentos ou remédios, não pediram ajuda nenhuma porque eles não pediram para serem soterrados, eles não pediram para serem levados morro abaixo, não pediram para morrer. Moradores esses que sabem do perigo mas são obrigados a se instalar em lugares inóspitos, para proporcionar dignidade a suas famílias, e até isso é tirado delas: dignidade. A foto ao lado mostra um cão que não abandonou sua dona mesmo depois de estar morta e se olhar o detalhe da foto, mais covas abertas para outros que virão. Cenário de guerra, cenário de abandono. Escolas onde eram pra se formar futuros pensadores da sociedade agora servem de necrotério, servem de refúgio para desabrigados.
Até quando seremos pego de surpresa, até quando seremos literalmente jogados na lama, até quando? A ordem agora é reconstruir, recomeçar tudo de novo, porque Janeiro de 2012 está logo ali no fim do túnel ou o começo da mediocridade e ignorância do homem. Como disse Albert Einstein: "Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que respeita ao universo, ainda não adquiri a certeza absoluta". Algo me diz que ele estava certo... e você?

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

De lá pra cá... um ano depois.

A nada menos que um ano, haitianos não esperavam a devastação que estava por vir, mais uma para variar; alguns dormiriam ricos - que por sinal são poucos-, e acordariam pobres, outros dormiriam vivos e acordariam mortos (ironicamente). De lá pra cá, se é que podia piorar, um grande contingente de pessoas se instalaram em calçadas a merçe da própria sorte. País marcado por conflitos civis e políticos, marcas da incessante busca de poder e status de uma minoria. Calcula-se mais de 1 milhão espalhados pelas ruas e para diminuirmos o choque emocional chamamos de "acampamento de desabrigados". Não vejo diferenças significativas da expressão desabrigados com mendigos. Mendigos, sim! ou quem sabe preferimos chamar de vagabundos, ou sem-tetos, ou até mesmo no politicamente correto de "moradores de rua", tantos outros adjetivos sórdidos. Situação essa no Haiti não se difere no Brasil.
No Haiti terremotos abalam casas e destroem vidas, aqui terremotos abalam os pilares da nossa jovem democracia, terremoto esse que destrói a vil esperança, que destroi os pilares da sociedade, a base da pirâmide, os pobre meu caro. Terremoto esse que é maquiado por nossa consciência, que julgamos essas pessoas como desfavorecidas, que apaziguamos nossos fragéis sentimentos como culpa do governo, ou até mesmo por ironia divina e como sempre, saimos incólumes.
Assim como no Haiti, no Brasil vozes clamam no deserto, sedentos de dignidade e uma oportunidade, talentos jogados ao relento das noites. Exemplo desses talentos reprimidos é o americano Ted Williams, com a poderosa voz descoberto por acaso. Até quando continuaremos a desprezar nossos semelhantes, a movermos mundos e fundos por um animal em extinção machucado e olharmos com frieza a mão que estende sobre nós pedindo mais que esmolas, pedindo ajuda. De uma coisa estou certo: a caridade, a sensibilidade, os valores morais estão apagados, estão reprimidos se não extintos. Um ano após o terremoto no Haiti, pessoas esperam nossa ajuda, após noites e noites refugiados dos perigos da noite, mendigos pedem nossa ajuda. Pedem!.Quem sabe se clamarmos e intercedermos mais a Deus, ele resolva sair de sua magnitude e fazer algo por nós, pobres filhos pecadores, ou quem sabe mais ainda: tomarmos vergonha na cara!
Ah os clichês sociais.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

E elas tomam o poder.

Nos últimos anos foi crescente o contingente de mulheres que desempenharam papel importante na sociedade, muitas delas responsáveis por rumos que marcaram significativamente a sociedade moderna. Tempos da imortal heroína Joana d'Arc, combatente francesa, condenada a morte por heresia; Maria Quitéria (Joana d'Arc brasileira) que disfarçará-se de homem para alistar-se no exército; Indira Gandhi, Primeira Ministra da Índia, brilhante pensadora política e estrategista, até ser assassinada. Dentre estes e outros grandes exemplos que poderíamos citar, nenhuma se destaca atualmente como Dilma Rousseff, Primeira Presidente brasileira.
Dilma Rousseff pode ser vista como a consolidação definitiva no Brasil do novo papel assumido pela mulher contemporânea; foi o tempo em que a mulher só servirá para procriação e servidão à seus maridos. Mulher hoje tem o mesmo tom de voz que o homem -sem falar quando não mandam.
A chegada de Dilma no poder traz consigo votos de profundas mudanças na forma de governar um pais regido por homens; a esperança depositada em Dilma é que ela governe com pulsos firmes de uma estadista e a sensibilidade e de uma mulher. A partir de hoje conheceremos a verdadeira Dilma Rousseff: nada melhor que dar poder nas mãos de um ser-humano para vermos realmente sua face. Não venho aqui afirmar que todo esse tempo Dilma veio agindo descaradamente da falsidade para chegar ao poder, venho sim afirmar categoricamente que Dilma, acima de tudo é um ser-humano, como qualquer um, dotado de ideologias, erros e acertos.
Dilma é por si mesma a representação do desejo brasileiro, a sede por mudança, um basta à fadiga monótona que assola por tantas décadas nosso país. Em suma, Dilma é o desejo de renovação.
Pena que o brasileiro é um povo efêmero, logo logo todo esse sonho irá se apagar. Apagará sim um sonho, mas não as consequências de nossos atos. O que resta a nós?a conhecida e boa velha esperança. Afinal: "o que fazemos em vida, ecoará pela eternidade".